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A INDÚSTRIA DO REJUVENESCIMENTO
Empresas de cosméticos investem em biotecnologia para lançar produtos que prometem avançar no combate ao envelhecimento
O mercado de beleza é sempre ascendente e um dos grandes responsáveis por esse fenômeno são os cremes anti-idade, cada vez mais efetivos. Dados da Associação Brasileira de Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec) mostram que o setor cresce, em média, 11% ao ano. Outro levantamento, divulgado pelo Instituto Euromonitor, dá conta de que a venda de cosméticos para pele aumentou 33% em 2008, se compararmos com o ano anterior.

Nesse caso, ciência e sucesso caminham juntos. O conhecimento acumulado sobre o funcionamento do corpo humano dá pistas sobre como mantê-lo conservado. “Para se ter uma ideia dos avanços, em 2006 a gente trabalhava com 200 genes, hoje temos mais de 30 mil para estudar”, comenta Robert Kalafsky, cientista e vice-presidente de Cuidados da Pele e Cuidados Pessoais, do Centro Global de Pesquisa e Desenvolvimento da Avon, nos Estados Unidos.

A Avon, por exemplo, investiu em cinco anos de pesquisa biotecnológica para colocar no mercado o Renew Reversalist. Os cientistas chegaram à conclusão de que, quando a pele sofre um ferimento, o corpo reage para produzir substâncias regenerativas. O próximo passo foi analisar uma cultura de fibroblastos – células que produzem colágeno e elastina, responsáveis pela firmeza e pela aparência jovem da pele. Os pesquisadores causaram danos propositais a essas células e estudaram as substâncias produzidas na cicatrização.

Foi aí que descobriram que, após uma lesão cutânea, o sistema de defesa do corpo produz uma molécula chamada Activin A. “Os cientistas transferiram o conhecimento sobre o processo de reparação celular e o potencial da Activin A para a cosmética e desenvolveram a tecnologia Activinol. Ela é capaz de aumentar a produção da molécula e a habilidade da pele em se renovar, e, assim, reverter o processo de surgimento das rugas e linhas de expressão”, explica Kalafsky.

A brasileira Natura também investiu em novas pesquisas médicas para mudar a marca Chronos. A nova linha, que chega ao mercado em maio, dá mais opções às consumidoras. Agora, além da classificação por faixa etária – 25, 30, 45 e 60 anos –, os produtos ganham rótulos de acordo com a necessidade das clientes: primeiros cuidados, poucos sinais, sinais e muito sinais.

A empresa já é dona de ativos exclusivos para tratar com eficácia cada um dos mecanismos de envelhecimento: Elastinol +R, Flavonoides de Passiflora, Spilol, Politensor de Soja e o Complexo Antioxidante (CAO), composto por licopeno extraído de tomate, extrato de café verde e vitamina E pura. O desafio foi conseguir a melhor combinação possível desses ativos, garantindo a atuação mais completa nos mecanismos de envelhecimento para grupo etário e estado da pele.

“Foram três anos de pesquisa e mais de 500 formulações desenvolvidas até chegarmos às fórmulas ideais. Fizemos estudos de pele com quase 500 mulheres para relacionar idade e ruga e ainda testamos os produtos em mais de 2.500 mulheres, em suas diversas fases”, garante Daniel Gonzaga, diretor de Pesquisa e Tecnologia da Natura. Nesse processo, a empresa somou às fórmulas ativos inéditos, como a manteiga de murumuru e o extrato de castanha portuguesa, ampliando a aposta em produtos naturais.
CORREIO BRAZILIENSE

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